Meditação de 26 de janeiro

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Misericórdia de Deus em acolher os pecadores arrependidos

Misericórdia de Deus em acolher os pecadores arrependidos

Non avertet faciem suam a vobis, si reversi fueritis ad eum – “Não apartará (Deus) de vós o seu rosto, se vós voltardes para Ele” (2 Cr 30, 9)

Sumário. Quão grande seja a misericórdia de Deus para com os pecadores, e quão grande a ternura do amor com que acolhe o pecador arrependido, bem o revelam as parábolas da ovelha desgarrada e do filho pródigo. Se no passado nós também temos pelo pecado abandonado nosso bom Pai e Pastor, não tardemos em voltar para Ele, resolvidos a nunca mais d’Ele nos apartarmos, custe o que custar, certos de que nos tratará como se nunca jamais o tivéssemos ofendido.

I. Os príncipes da terra não se dignam nem sequer de olhar para os súditos rebeldes que lhes veem pedir perdão; mas não é assim que Deus procede para conosco: Não apartará de vós o seu rosto, se vós voltardes para Ele. Deus não sabe desviar a sua divina face daquele que lhe cai arrependido aos pés. Não; pois que ele mesmo o convida com a promessa de o receber logo que venha. “Voltai para mim”, diz o Senhor, “e Eu vos receberei” (1); “convertei-vos a mim, e Eu me converterei a vós” (2).

Com que amor e ternura abraça Jesus Cristo o pecador que volta para Ele! É isso exatamente o que nos quis dar a entender pela parábola da ovelha desgarrada, que o pastor, achando-a, põe-na aos ombros e convida os amigos a que tomem parte no seu regozijo: Congratulamini mihi, quia inveni ovem meam, quae perierat — “Congratulai-vos comigo porque achei a ovelha que estava perdida”. E conclui com estas palavras: “Haverá mais júbilo no céu por um pecador que fizer penitência, do que sobre noventa e novo justo a quem não é necessária a penitência.” (3). E São Gregório dá a razão disso; porque os pecadores arrependidos são em geral mais fervorosos que os próprios justos.

O Redentor demonstra ainda mais a sua misericórdia em acolher o pecador arrependido, na parábola do filho pródigo; onde declara que Ele próprio é esse bom pai que, ao ver voltar o filho perdido, lhe vai ao encontro, e sem lhe dar tempo de falar, o abraça, o beija, e ao abraçá-lo fica quase fora de si, tão viva é a consolação que sente: Accurrens cecidit super collum eius, et osculatus est eum (4). — Numa palavra, pelo excesso de sua misericórdia Deus chega a dizer que, quando o pecador se arrepende, quer mesmo esquecer-se dos pecados, como se o pecador nunca o tivesse ofendido (5). Vai mais longe ainda e diz: Venite et arguite me; si fuerint peccata vestra ut coccinum, quasi nix dealbabuntur (6) — “Vinde e argui-me; se os vossos pecados forem como o escarlate, eles se tornarão brancos como a neve”. Como se dissesse: Vinde, pecadores, e se vos não perdoar, repreendei-me e acusai-me de infidelidade. Ó excesso de bondade! Ó misericórdia infinita!

II. O Senhor gloria-se de usar de misericórdia e de perdoar aos pecadores: Exaltabitur parcens vobis (7) — “Ele será exaltado perdoando-vos”. E quanto tempo demora Deus antes de perdoar? Perdoa logo. Ó pecador, diz o profeta, não é preciso chorares muito; à primeira lágrima o Senhor terá piedade de ti: Ad vocem clarmoris tui, statim ut audierit, respondebit tibi (8). Deus não faz conosco como nós fazemos com Ele. Deus nos chama e nós nos fazemos de surdos. Deus não faz assim; no mesmo instante que te arrependes e lhe pedes perdão, Ele responde e te perdoa: Statim ut audierit, respondebit tibi.

A quem é que fiz guerra, meu Deus? A Vós, que sois tão bom, que me criastes, que morrestes por mim e me tendes suportado com tamanha clemência depois de tantas infidelidades! Só a consideração da paciência que tivestes comigo deveria fazer-me viver todo abrasado em vosso amor. Depois de tantas ofensas, quem me teria aturado tanto tempo como vós me aturastes? Ai de mim, se de hoje por diante eu Vos tornasse a ofender e me condenasse! A lembrança das vossas misericórdias, ó meu Deus, seria para mim um inferno mais cruel que o próprio inferno.

Não, meu Redentor, não permitais que Vos volte de novo as costas; deixai-me antes morrer. Vejo que a vossa misericórdia não me pode aturar mais tempo. Pesa-me, ó meu soberano Bem, de Vos ter ofendido. Amo-Vos de todo o meu coração e resolvido estou a consagrar-Vos todo o resto da minha vida. Ó Pai Eterno, atendei-me pelos merecimentos de Jesus Cristo; dai-me a santa perseverança e o vosso santo amor. Ouvi-me, meu Jesus, pelo sangue que derramastes por mim: Te ergo, quaesumus, tuis famulis subveni, quos pretioso sanguine redemisti — “Nós Vos suplicamos, socorrei a vossos servos, que resgatastes pelo vosso precioso sangue. — Ó Maria, minha Mãe, deitai sobre mim o vosso olhar piedoso e atraí-me todo para Deus.

Referências:

(1) Jr 3, 1 (2) Zc 1, 3 (3) Lc 15, 7 (4) Lc 15, 20 (5) Ez 18, 22 (6) Is 1, 18 (7) Is 30, 18 (8) Is 30, 19

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 245-248)

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Os bens do mundo não nos podem fazer felizes

Os bens do mundo não nos podem fazer felizes

Vidi in omnibus vanitatem et afflictionem animi – “Vi em tudo vaidade e aflição do ânimo” (Ecl 2, 11)

Sumário. Os irracionais que foram criados para a satisfação dos sentidos acham a felicidade nos bens da terra, e possuindo-os nada mais desejam. A alma humana, porém, criada para amar a Deus e estar-lhe unida, nunca achará a paz nos prazeres dos sentidos, como demasiadamente prova a experiência. Só Deus pode contentá-la plenamente. Qual não será, pois a nossa loucura, se, deixando o Senhor, corrermos atrás dos bens falazes do mundo!

I. Neste mundo todos os homens trabalham para alcançar a paz. Afadiga-se tal negociante, tal soldado, tal litigante, porque imaginam que realizando o negócio, obtendo a desejada promoção, ganhando a demanda, farão fortuna e acharão a paz. Pobres mundanos, que procuram a paz no mundo, que lha não pode dar! Só Deus pode dar-nos a paz: Da servis tuis, assim ora a Igreja, illam quam mundus dare non potest pacem — “dai aos vossos servos a paz que o mundo não pode dar”. Não, o mundo com todos os seus bens não pode contentar o coração do homem, porque o homem não foi criado para esses bens, mas somente para Deus, donde resulta que só Deus o pode satisfazer. Os animais, que foram criados para os bens materiais, acham a paz nos bens terrestres. Mas a alma, que foi criada tão somente para amar a Deus e viver com Ele unida, nunca poderá achar a paz nos gozos dos sentidos; só Deus a pode tornar plenamente contente.

São Lucas fala de um rico que, tendo obtido colheita abundante de seus campos, disse assim para consigo: “Minha alma, tens muitos bens em depósito para largos anos; descansa, come, bebe, regala-te.” (1) Mas este desgraçado foi tratado como insensato. E com razão, diz São Basílio; ou não queria por ventura equiparar-se aos animais imundos, e pretendia contentar sua alma com a comida, com a bebida e com os deleites sensuais? Nunquid animam porcinam habes?

Numa palavra, assim conclui São Bernardo, o homem pode encher-se de bens do mundo, mas nunca saciar-se com eles. — Escrevendo o mesmo Santo a propósito desta passagem do Evangelho: Ecce nos reliquimus omnia — “Eis que nós deixamos tudo”, acrescenta que viu no mundo diversos doidos, que todos eram atormentados por uma grande fome. Para se fartar, uns comiam terra: imagem dos avarentos; outros aspiravam o ar; imagem dos ambiciosos; outros que estavam próximos de uma fornalha, recebiam na boca as centelhas que voavam: imagens dos coléricos; outros, enfim, à beira de uma lagoa paludosa, bebiam dessas águas corrompidas: imagens dos desonestos. Depois o Santo, dirigindo-se a eles, exclama: Ó insensatos, não vedes que estas coisas, longe de matar a fome, só podem atiçá-la? Haec potius famem provocant, quam extinguunt.

II. Os bens do mundo têm somente aparência de bens, é por isso que não podem saciar o coração do homem. Comedistis et non estis satiati (2) — “Comestes e não fostes saciados”. Assim o avarento, quanto mais adquire, e o dissoluto, quanto mais se revolve em seus deleites, tanto mais se mostra, a um tempo, desgostoso e ávido de novos prazeres. O mesmo acontece ao ambicioso, que quer saciar-se com uma fumaça. Se os bens da terra pudessem contentar o homem, os ricos, os monarcas seriam perfeitamente felizes, mas a experiência prova o contrário. É o que Salomão declara, afiançando-nos que nada tinha negado aos sentidos: Vanitas vanitatum et omnia vanitas (3) — “Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade”.

Que me resta, meu Deus, das ofensas que Vos fiz, senão penas, amarguras e títulos para o inferno? A dor que sofro agora não me desagrada; pelo contrário consola-me, porque é efeito de vossa graça, e já que Vós a excitais em mim, dai-me a confiança que me quereis perdoar. O que me aflige é a amargura de que Vos enchi, ó meu Redentor, que tanto me haveis amado. Merecia ser então abandonado, meu Senhor, mas, em lugar de me abandonardes, vejo que me ofereceis o perdão e que sois o primeiro a pedir a paz. Sim, meu Jesus, quero fazer as pazes e desejo a vossa graça mais do que qualquer outro bem.

Arrependo-me de Vos ter ofendido, Bondade infinita, e por isso quisera morrer de dor. Eu Vos suplico, pelo amor que me tendes tido, a ponto de por mim expirar na cruz: perdoai-me e recebei-me no vosso Coração. Mudai o meu coração de tal sorte, que Vos dê tanto gosto no futuro, como no passado Vos causei desgosto. Pelo vosso amor, renuncio a todos os gozos que o mundo me possa oferecer e tomo a resolução de antes querer perder a vida que a vossa graça. Dizei-me o que tenho a fazer para Vos ser agradável; estou pronto a tudo fazer.

— Prazeres, honras, riquezas, a tudo renuncio; só a Vós quero, meu Deus, minha alegria, meu tesouro, minha vida, meu amor, meu tudo! Ajudai-me, ó Senhor, a Vos ser fiel. Fazei que Vos ame, e disponde de mim como Vos aprouver.

— Maria, minha Mãe e minha Esperança depois de Jesus, recebei-me debaixo da vossa proteção e fazei com que eu seja todo de Deus.

Referências:

(1) Lc 12, 19 (2) Ag 1, 6 (3) Ecl 1, 2

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 175-178)

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